Série de eventos sobre literatura alemã, africana e futebol na literatura
15 de abril de 2010
Goethe-Institut Porto Alegre – Auditório
19:30 horas
Entrada franca
+55 51 21187800
Tomando como ponto de partida a última Copa do Mundo de Futebol, realizada na Alemanha em 2006, passando pela África do Sul, sede do evento em 2010 e culminando no futebol como temática literária, o Goethe-Institut e a Coordenação do Livro e Literatura (CLL) da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre apresentam uma série de eventos sobre literatura alemã, africana e futebol na literatura.
15 de abril de 2010
19h30min
Segundo Jogo: Günter Grass em três tempos
1º Tempo: O Tambor – romance escândalo nos anos 50
2° Tempo: Um Campo Vasto – Günter Grass e a reunificação
Prorrogação: Nas Peles da Cebola – revelações autobiográficas
Palestrante: Marcelo Backes
Escritor, professor, crítico literário e tradutor de inúmeras obras de literatura alemã. Comenta e apresenta em préfacios ou pósfacios os livros que traduz. Recentemente, traduziu “Nas Peles da Cebola” de Günter Grass.
- Günter Grass e sua participação na Waffen-SS
Recentemente o mundo se chocou com a declaração do escritor Günter Grass, detentor do prêmio Nobel, em seu novo livro “Descascando a cebola” ,de caráter autobiográfico, de sua participação como membro da Waffen -SS (tropa de elite do exército do Reich).
Esta revelação fez muitos escritores, jornalistas entre outros posicionarem-se a respeito. Alguns desses posicionamentos foram publicados no jornal “O Estado de São Paulo”, no dia 27 de agosto de 2006. Os argumentos dividiram-se basicamente em dois, de um lado estavam os que declaravam que isso não invalidava o valor de seus romances, e que é preciso separar o escritor de sua obra, além de considerarem a pouquíssima idade de Grass quando atuou na Waffen .
Do outro, questionaram a demora de Günter em revelar esta participação. O escritor português Saramago declarou ” Nunca separei o escritor da pessoa que o escritor é. A responsabilidade de um é a responsabilidade de outro.”. Já o editor brasileiro Luiz Schwarcz comenta: “Não se pode confundir obra e autor.”. John Berger, escritor, em um texto originalmente publicado pelo The Guardian, questiona o julgamento a Günter Grass: “A ética determina escolhas e ações e sugere prioridades difíceis. Nada tem a ver com o julgamento das ações dos outros. Tais julgamentos são prerrogativa dos moralistas. Na ética existe humildade; os moralistas acham que estão certos.”
Em uma entrevista concedida a Der Spiegel, Grass comenta a repercussão que sua atuação na tropa nazista teve e explica-se diante de alguns questionamentos. Ao ser indagado quanto a demora para a revelação, o escritor alemão declarou: “Acreditava que minha obra como escritor e cidadão era suficiente.”, e acrescenta que sempre sentiu vontade de escrever sobre suas experiências, mas num contexto adequado.
O entrevistador do Der Spiegel, Ulrich Wickert faz ainda uma relação com um trecho do livro autobiográfico Descascando a Cebola e o romance O Tambor, buscando no romance um sentimento já revelador desta culpa de atos passados e sua justificação pela pouca idade: “No instante em que invoco o garoto de treze anos que eu era na época, em que o tomo como incumbência, e me sinto tentado a julga-lo, ele me escapa. Ele não quer ser avaliado ou julgado.
Foge para o colo da mãe e diz: ‘Eu era apenas um garoto, apenas um garoto.’ .” (Descascando a Cebola). ” Não sou responsável pelas coisas que fiz quando criança.” (Personagem Oskar em O Tambor.). Em um outro romance ainda podemos verificar o aparecimento de um possível traço autobiográfico e sua relação com este sentimento de culpa, trata-se de Maus presságios.
É revelado sobre os protagonistas Alexandre e Alexandra: “Não era necessário remexer no passado, porque as poucas aventuras à margem traziam lembranças inexatas ou mal ordenadas. E o fato de que ele, aos quatorze anos e meio, tivesse sido soldado e ela, aos dezessete, membro entusiasta da organização das juventudes comunistas era perdoado aos dois, mutuamente, como defeitos congênitos de sua geração; não era preciso descer a nenhum abismo; até porque ele, nos momentos em que duvidava de si próprio, dizia que tinha de lutar continuamente contra o jovem hitlerista que tinha dentro de si…”
Estaria Grass, ao longo de todos os seus romances, já nos dando pistas de sua vida passada? Seriam todos os seus romances um desabafo particular?












